O planejamento logístico e financeiro de qualquer reforma, demolição ou obra civil exige uma boa estimativa do volume de Resíduos da Construção Civil (RCC) que será gerado.

Negligenciar o cálculo do entulho e escolher caçambas inadequadas pode resultar em gastos extras, atrasos no cronograma e problemas relacionados ao descarte dos resíduos.

Para estimar a quantidade necessária de caçambas, é importante ir além das dimensões originais da estrutura. Fatores como o empolamento do material e a forma de carregamento influenciam diretamente no volume final do entulho.

Entenda o empolamento e o fator de arrumação

Um dos erros mais comuns no cálculo de caçambas é considerar apenas o volume da estrutura antes da demolição.

Quando uma parede, laje ou piso é demolido, os materiais são fragmentados e passam a ocupar mais espaço devido aos vazios existentes entre os pedaços. Esse fenômeno é conhecido como empolamento ou expansão volumétrica.

Além disso, a forma como os resíduos são colocados na caçamba também interfere no espaço ocupado. Essa diferença pode ser representada pelo Fator de Arrumação (Fa).

Carregamento manual

O carregamento manual permite organizar melhor determinados resíduos, como tijolos, tábuas e outros materiais. Isso reduz os espaços vazios.

O fator de arrumação pode variar, por exemplo, entre 0,85 e 0,95.

Carregamento mecânico

Quando o carregamento é realizado com máquinas, os resíduos geralmente são depositados de maneira menos organizada.

Nesse caso, o volume aparente pode aumentar, com fatores de arrumação entre 1,15 e 1,30, dependendo do material e da operação.

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Passo a passo para calcular o volume de entulho

Para estimar a quantidade de caçambas necessárias, é possível utilizar uma metodologia dividida em quatro etapas.

Passo 1: calcule o volume geométrico

Primeiro, determine o volume original da estrutura antes da demolição.

No caso de uma parede, utilize a seguinte fórmula:

Comprimento × Altura × Espessura = Volume geométrico

Por exemplo, considere uma parede com:

  • 12,50 metros de comprimento;

  • 3 metros de altura;

  • 0,20 metro de espessura.

O cálculo será:

12,50 × 3,00 × 0,20 = 7,50 m³

Portanto, a parede possui aproximadamente 7,50 m³ de volume geométrico.

Passo 2: aplique o coeficiente de empolamento

Após a demolição, o material passa a ocupar um espaço maior. Para estimar esse volume solto, utilize a fórmula:

Volume solto = Volume geométrico × (1 + coeficiente de empolamento)

O coeficiente pode variar de acordo com o tipo de resíduo.

Alguns valores estimados são:

  • Concreto estrutural e lajes: 0,45 a 0,50;

  • Alvenaria e tijolos: 0,35 a 0,45;

  • Argamassa e contrapiso: 0,30 a 0,40.

Utilizando a parede do exemplo anterior e considerando um empolamento de 40%:

7,50 × 1,40 = 10,50 m³

Isso significa que os 7,50 m³ da estrutura original podem ocupar aproximadamente 10,50 m³ após a demolição.

Passo 3: considere o fator de arrumação

O próximo passo é considerar a maneira como o entulho será acondicionado.

A fórmula utilizada é:

Volume requerido = Volume solto × Fator de Arrumação

No exemplo anterior, considerando um fator de arrumação de 0,90:

10,50 × 0,90 = 9,45 m³

Portanto, o volume estimado para o acondicionamento dos resíduos será de aproximadamente 9,45 m³.

Passo 4: divida o volume pela capacidade da caçamba

Para descobrir a quantidade de caçambas, divida o volume estimado pela capacidade de cada equipamento.

Considerando caçambas de 4 m³:

9,45 ÷ 4 = 2,36

Como não é possível contratar uma fração de caçamba, o resultado deve ser arredondado para cima.

Nesse exemplo, seriam necessárias aproximadamente 3 caçambas de 4 m³.

Atenção ao peso dos resíduos e à capacidade de transporte

O cálculo da quantidade de caçambas não deve considerar apenas o volume. O peso do material descartado também precisa ser avaliado.

Materiais como concreto, solo úmido, argamassa e alvenaria possuem alta densidade e podem elevar rapidamente o peso total da carga.

Caçambas de 3 m³ a 4 m³ costumam ser utilizadas para resíduos pesados, como:

  • Concreto;

  • Alvenaria;

  • Solo;

  • Argamassa;

  • Restos de pisos e revestimentos.

Já caçambas maiores podem ser mais adequadas para resíduos volumosos e relativamente leves, como:

  • Madeira;

  • Drywall;

  • Plásticos;

  • Papelão;

  • Materiais de embalagem.

Uma caçamba de grande capacidade preenchida completamente com concreto pode atingir um peso elevado, ultrapassando a capacidade operacional do veículo responsável pelo transporte.

Por isso, é fundamental respeitar os limites de carga do caminhão e as regras aplicáveis ao transporte rodoviário.

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Como separar os resíduos da construção civil

A separação dos resíduos é uma etapa importante para facilitar a coleta, o transporte e a destinação adequada dos materiais.

A Resolução CONAMA nº 307 estabelece uma classificação para os resíduos da construção civil.

Classe A

Inclui resíduos reutilizáveis ou recicláveis como agregados, entre eles:

  • Concreto;

  • Tijolos;

  • Blocos;

  • Telhas;

  • Argamassa;

  • Outros materiais de origem mineral.

Classe B

São resíduos recicláveis destinados a outras formas de reaproveitamento, como:

  • Plásticos;

  • Papel;

  • Papelão;

  • Metais;

  • Vidros;

  • Madeiras.

Classe C

São resíduos para os quais a reciclagem ou recuperação pode apresentar limitações técnicas ou econômicas, conforme as tecnologias disponíveis.

Classe D

Inclui resíduos perigosos ou contaminados provenientes do processo de construção.

Tintas, solventes, óleos e materiais contendo substâncias perigosas exigem cuidados específicos de acondicionamento e destinação.

Evite misturar resíduos perigosos com entulho comum

Resíduos perigosos não devem ser descartados junto com concreto, tijolos, madeira e outros materiais comuns da construção.

A mistura inadequada pode dificultar a triagem, impedir o reaproveitamento dos resíduos e aumentar os custos de destinação.

Materiais que exigem tratamento específico devem ser separados e encaminhados para empresas ou locais devidamente autorizados.

3 dicas para economizar na contratação de caçambas

Calcular corretamente o volume é importante, mas algumas práticas também podem ajudar a aproveitar melhor a capacidade das caçambas.

1. Faça a separação dos materiais

Separe os resíduos pesados dos materiais leves e volumosos.

Concreto e alvenaria podem exigir uma estratégia de transporte diferente de madeira, papelão e plástico.

A segregação facilita o descarte e pode melhorar o aproveitamento das caçambas.

2. Reduza o volume dos materiais antes do descarte

Sempre que possível, desmonte ou reduza o tamanho de materiais volumosos.

Madeiras, tubulações de PVC e outros elementos podem ocupar muito espaço quando descartados de forma desorganizada.

Uma melhor disposição dos resíduos ajuda a aproveitar a capacidade interna da caçamba.

3. Planeje a troca das caçambas

Em demolições e reformas mais longas, nem sempre é necessário solicitar todas as caçambas de uma única vez.

O agendamento rotativo permite substituir as unidades conforme o avanço da obra, reduzindo a ociosidade e melhorando a organização do local.

Como solicitar a quantidade certa de caçambas?

Para estimar a quantidade de caçambas, calcule o volume original da estrutura, considere o empolamento do material, avalie a forma de carregamento e divida o volume final pela capacidade da caçamba.

Também é importante considerar o peso dos resíduos e realizar a separação adequada dos materiais.

Em caso de dúvida, informe à empresa de aluguel de caçambas o tipo de obra, os materiais que serão descartados e as dimensões aproximadas da área demolida.

Essas informações ajudam a realizar uma estimativa mais adequada e evitam gastos desnecessários com viagens extras.